Filha de Militar, Abandonada Quando Criança Tem Direito à Pensão Militar?

1        Introdução

            Imagine a situação dessa filha de militar que foi abandonada pelo seu pai ainda bebê, cresceu sem apoio e foi criada apenas pela mãe, seu pai adotivo e a avó.

Depois de adulta descobriu que o seu pai era militar do Exército e teve um relacionamento com a sua mãe na época que serviu na fronteira da região amazônica.

Agora vem a pergunta que muda tudo: isso pode te dar direito a uma pensão vitalícia?

Leia esse artigo até o fim, porque vamos analisar um caso real e você poderá ajudar alguém a exercer um direito legítimo que dura a vida inteira.

2        No Direito Militar, Justiça não é Sentimento — é Prova, Lei e Contribuição

Existe a lei que rege todas essas questões: a Lei nº 3.765/1960, conhecida como a Lei das Pensões Militares.

Ela define:

  • quem pode ser pensionista;
  • quais condições; e
  • quem fica de fora, mesmo sendo filho ou filha.

Devemos entender que, para responder a essa pergunta, não basta “achar justo”.

E aqui vai algo que quase ninguém presta atenção: cada pensão militar tem uma história própria, guardada em um documento chamado:

Pasta de Habilitação à Pensão Militar, arquivada na organização militar que o instituidor da pensão (pai) estava vinculado.

Sem analisar essa pasta, ninguém pode te dar resposta séria.

3        O checklist de ouro – as 4 perguntas que decidem tudo

Quando essa mulher me procurou, eu não respondi “sim” nem “não”.

Na verdade, eu fiz quatro perguntas. E agora eu vou fazer essas mesmas perguntas para você.

PERGUNTA 1 — O nome dele (instituidor da pensão) está na sua certidão de nascimento?

Essa é a porta de entrada. As repostas:

  1. Se está → existe vínculo jurídico; e
  2. Se não está não há direito automático.

Se a resposta for a negativa, o processo será bem mais complexo, porque envolverá a Justiça Estadual para buscar a realização de exame de DNA de paternidade post mortem, caso os parentes do instituidor da pensão se recusarem a fornecer material genético, como também a retificação da certidão de nascimento da filha abandonada.

Abandono emocional não exclui direito, mas ausência de reconhecimento formal pode inviabilizar tudo.

PERGUNTA 2 — O seu pai já faleceu?

Aqui muita gente se confunde.

Pensão militar NÃO existe com o pai vivo. Enquanto ele vive pode:

  1. existir alimentos;
  2. existir a responsabilidade civil;
  3. mas não existe pensão militar.

A pensão só nasce com o falecimento do militar. Sem o evento morte do instituidor, o direito ainda não se materializou.

PERGUNTA 3 — Ele contribuiu com os famosos 1,5% ?

Esse é o ponto mais decisivo de todos.

Em determinado momento, a lei de remunerações dos militares mudou, instituindo um novo desconto.

E muitos militares tiveram que escolher:

“Vou pagar mais 1,5% do meu soldo para garantir pensão às minhas filhas, mesmo adultas?”

Se ele optou e contribuiu → abre-se a porta da lei antiga

Se não contribuiu → o direito pode simplesmente não existir.

É aqui que 90% das pessoas se frustram, porque nunca ninguém explicou isso.

PERGUNTA 4 — Existe alguém recebendo essa pensão hoje?

Viúva? Outro filho? Outra filha?

Isso muda tudo, porque pode haver:

  1. divisão de cotas;
  2. necessidade de habilitação tardia;
  3. ou até discussão judicial.

O importante a saber é quem chega depois não perde automaticamente, mas precisa provar e brigar pelo seu lugar.

4        Como agir na prática — o caminho das pedras

Se você respondeu “sim” para os pontos certos, atenção:

O primeiro passo NÃO é processo judicial.

É documental. Você precisa:

  1. da Pasta de Habilitação à Pensão Militar do seu pai;
  2. dos assentamentos militares (livro de alterações) do seu pai; e
  3. do histórico contributivo de 1,5%.

Com isso, é feito o pedido administrativo no órgão pagador.

Não é simples, não é rápido, mas esse é o caminho correto, porque estamos falando de segurança financeira contínua, muitas vezes por décadas.

5          O direito ao benefício

Vou te dizer algo com muita responsabilidade: Direito não pedido é direito perdido.

Milhares de filhas de militares não recebem pensão não porque não têm direito, mas porque nunca foram orientadas corretamente.

6          Conclusão: Para fixar em sua mente

            Aqui eu não vendo ilusão – eu ensino estratégia jurídica real.

Imagine a pensão militar como um seguro antigo:

  1. O contrato é a certidão de nascimento;
  2. A apólice ativa é a contribuição de 1,5%; e
  3. O falecimento do instituidor é o evento que vai garantir o seu direito à pensão.

A falha de um desses pilares, o Estado não libera o benefício.

Se você viveu abandono, se descobriu tarde a condição do seu pai, ou se conhece alguém nessa situação que pode ter esse direito, curta e compartilhe este artigo agora mesmo.

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